A Origem e a Arte de Navegar
Por volta de 1745, o local já abrigava habitações ligadas ao Convento da Rosa, pertencente à Ordem de São Paulo da Serra da Ossa. Contudo, foi nos anos seguintes que o espaço evoluiu para uma verdadeira quinta estruturada. Pelos registos notariais almadenses, sabemos que nessa época vivia na Caparica Cipriano Pereira da Silva, cujas casas lhe foram arrendadas pelos Padres do Convento.
Em 1748, o mesmo Cipriano era já morador na sua «quinta de Vila Nova do Funchal». Nos documentos consultados, Cipriano Pereira da Silva aparece como Capitão Tenente e Piloto Mor da Carreira da Índia e do Brasil — uma figura marcante da navegação portuguesa.
O Nome: Uma Homenagem à Navegação
O seu nome peculiar deve-se precisamente a esta figura: Cipriano Pereira da Silva, cuja profissão de navegador e oficial da marinha deixou marca duradoura no local. O termo "Pilotos" nasceu como uma homenagem à sua profissão e ao seu estatuto, imortalizando a ligação do lugar ao mar e à nobre arte de navegar.
Embora não exista um registo a datar com exatidão a edificação das atuais casas da Quinta dos Pilotos, tudo parece apontar que esta quinta constitui de facto a atual propriedade, assim designada em memória do seu edificador ou principal beneficiador — como era prática comum na época.
Um Espaço de Prestígio e Vida
Durante o século XVIII, a Quinta dos Pilotos destacava-se não apenas pela sua vertente agrícola, mas também pelo seu notável prestígio social. Era um local de distinção e nobreza, composto por imponentes casas de dois pisos, dotadas de uma casa de missa com oratório privado. O proprietário era Cavaleiro Professo da Ordem de Cristo, um título de grande relevância social na época.
A sua importância ficou registada na história através de celebrações memoráveis, incluindo um grande casamento realizado no ano de 1780. Era, em toda a sua essência, um lugar de vida, encontro e tradição — refúgio de uma família de prestígio.
A Evolução até aos Dias de Hoje
Com o passar do tempo, e acompanhando a transformação da Caparica de uma pacata zona rural para uma área de eleição residencial e turística, a quinta foi acolhendo diferentes proprietários. Em 1807, por exemplo, pertencia ao ilustre Desembargador Manuel Tomás de Sousa de Azevedo.
Hoje, a Quinta dos Pilotos mantém o seu espírito acolhedor intacto. Preservamos a memória de outros tempos enquanto abrimos as portas a quem nos visita. Mais do que um espaço de descanso, esta quinta é um pedaço de história viva, onde a tranquilidade do campo, a proximidade do mar e a tradição portuguesa se encontram. Esperamos que a sua estadia seja tão especial quanto a história deste lugar.